Prof.ª. Dee Ahern (Barral Institute USA)


No seu livro “Osteopatia -Pesquisa e Prática”, A.T. Still, o seu fundador, lançou algumas máximas básicas:
O corpo tende a curar-se sozinho a não ser que o stress acumulado seja demasiado, resultando em desadaptação e doença.
A estrutura psico-neuro-musculo-esquelética está envolvida na maioria dos processos de doença.
Como terapeutas, estamos conscientes que as emoções ficam armazenadas no corpo, mas têm sido desenvolvidos poucos métodos práticos e reprodutíveis para palpação, diagnóstico e tratamento das emoções. Jean-Pierre Barral, o fundador da manipulação visceral, descobriu, ao longo de 40 anos de prática, tratando mais de 70.000 pacientes, que os desafios das disfunções viscerais não estavam unicamente relacionados com a sua estrutura. Tomou consciência que “A Nossa Biologia reflecte a Nossa Biografia”. Descobriu que se uma larga percentagem de energia ficar presa no processo de armazenamento sem se dissipar ou ser descarregada, haverá menos energia disponível para a adaptação a situações emergentes. A verdadeira questão tornou-se será a emoção 001% do problema ou 99% do problema? Como o saberemos?
O Dr. Barral encontrou respostas vindas do plexo nervoso (mais quente) e associou estas ao cérebro através das zonas frontais (mais quente). Também trabalhou com a palpação de estruturas profundas do cérebro que retêm emoções profundas, o sistema límbico, e criou um sistema de relacionamento entre as áreas de retenção emocional no corpo e estas estruturas cerebrais. Trabalhando com o estabelecimento de comunicação entre ambas, viu resultados nos seus pacientes. Eles falavam de “dor na boca do estômago” ou “sou normalmente introvertido, mas senti-me melhor... mais confiante depois da nossa última sessão, doutor”. Assim, a curiosidade do Dr. Barral acerca da relação viscero-emocional com a disfunção, levou ao desenvolvimento específico de técnicas concebidas para descarregar a energia emocional demasiadamente armazenada quer no corpo como na mente.

Por exemplo, alguém que perde o seu emprego sofre de dores de estômago. O cérebro recebe mensagens negativas e envia-as para o estômago. Isto causa contracções, cólicas. Agora, o cérebro recebe duas mensagens “eu não sou suficientemente bom e estou doente”. Esta informação liga-se a uma parte específica do cérebro e desencadeia sintomas depressivos.
Se a disfunção primária foi sentida no órgão físico (estômago), tratando-o, podemos ajudar a descarregar o conflito que a pessoa estava a processar, ou não. O cérebro nota uma mudança positiva e a pessoa, livre de dores, tem uma melhor hipótese de resolver o seu problema da perda do emprego. Ajudando o órgão a funcionar melhor contribuiu para a melhoria da auto confiança.
O exemplo anterior referia-se a tratar um problema emocional tratando um órgão. Vamos ver agora como tratar um órgão tratando um problema emocional.

Se a disfunção primária era a emoção (cérebro), então “despertar um pequeno algo” (wake up a little something) entre o cérebro e o seu órgão “alvo” principal, irá criar uma mudança no padrão da memória dos tecidos. O estômago era neste caso, o órgão alvo num padrão de stress social. Este paciente vem duma família de “em vez de quem és, mostra-me do que és capaz”. O estômago representa o nosso Eu em relação aos outros, no trabalho e em sociedade. Falta de auto confiança na infância, incapacidade de lidar com o falhanço, problemas com os superiores, originaram contracções, sensações de ardor e frequentes arrotos, tudo sinais de inquietação. A abordagem sintomática a nível estrutural proporcionará apenas alívio parcial e os problemas profundos latentes permanecerão. Ligando as estruturas cerebrais onde se encontra armazenada a emoção às estruturas viscerais onde ela se manifesta, a comunicação poderá ser restabelecida.

O Movimento parece ser uma forma dos órgãos comunicarem com o cérebro e vice-versa.
A ausência ou diminuição de movimento é como uma restrição dos estímulos cerebrais aferentes, afectando o vaivem da comunicação, por si só suficiente para diminuir o estado energético e a vitalidade do órgão afectado.
Desta forma, cada movimento ou alteração que o diminua, provoca enorme efeito. Fazendo a ligação certa, conseguindo a libertação correcta, a sua percepção é imediata nos dois extremos. Sentir-se-à no cérebro e no âmago da víscera. Haverá um aumento do movimento e em seguida sentiremos uma série de actividades de auto correcção até à sincronização das duas áreas. Há um sistema de consciência interno. Há diálogo através de forças mecânicas, há inteligência. Podemos afectar positivamente esta comunicação. O Dr. Jean Pierre Barral diz que a inteligência pode ser vista como “a coordenação da consciência”.
Quando lidamos com este aspecto do trabalho viscero-emocional existem, segundo ele, diversos princípios a respeitar:

“O objectivo é descarregar a tensão na mente e no corpo em pouco tempo e com precisão. Isto é ir muito profundamente dentro do sistema límbico”.
“Respeitar a vida profunda da pessoa”.
“A precisão é aquilo de que pessoalmente gosto”.
“Limpar uma pequena parte do inconsciente, e não permitir que a pessoa fique stressada por nada por você estar no seu limite”.
“Respeitar a vida profunda de uma pessoa”, pois para o Dr. Barral tem de se merecer penetrar nos tecidos do corpo e da mente. O conhecimento anatómico, a especificidadena escuta e seguir a inteligência dos tecidos, são as máximas do trabalho do Jean Pierre Barral.

O Dr. Barral editou recentemente o livro “Understanding the messages of your body – How to Interpret Physical and Emotional Signals to Achieve Optimal Health" (Compreender as mensagens do vosso corpo – Como interpretar os sinais físicos e emocionais para Conseguir uma Óptima Saúde) bem como outro publicado em 1996, intitulado “ Manual Thermal Diagnosis” (O Diagnóstico Térmico Manual). Ambos falam das emoções e o seu relacionamento com os órgãos do corpo, fruto da sua observação ao longo dos anos de prática clínica.