Dra. Gail Wetzler, PT, CVMI, BI-D, Directora do Curriculum e Desenvolvimento do Programa do Instituto Barral


O sistema urogenital é muitas vezes uma das áreas de maior stress do corpo devido a disfunções lombo sagradas, problemas intestinais, armazenamento de emoções, gravidez, parto e menstruação. Para que a homeostase possa ocorrer na pélvis, o sistema de pressão pélvica tem de estar equilibrado. Em posturas de carga, as pressões gravíticas dos órgãos deveriam dirigir-se para a estrutura óssea envolvente. Qualquer desalinhamento das estruturas anatómicas pode ter um efeito dramático na fisiologia (Schamberger 2002). Os órgãos pélvicos precisam de espaço para de expandirem, deslocarem e rodarem de acordo com mudanças de pressão promovidas pela digestão e eliminação. Nas mulheres, factores como desordens digestivas, infecções, traumas, partos ou a menstruação podem incrementar a pressão temporariamente. Certos factores como doenças crónicas, medicamentos, adesões ou intervenções cirúrgicas, podem aumentar a pressão por um período de tempo mais longo, causando disfunções viscerais.

Os órgãos que estão dentro da cavidade pélvica devem mover-se! Senão, disfunções urogenitais podem originar sintomas de dor, obstipação, micção frequente, espasmos do elevador do ânus, cistites, desmenorreia, ou a síndrome de cólon irritável. O movimento normal dos órgãos estimula células específicas, que segregam fluidos para o deslizamento das superfícies entre os órgãos. O movimento normal dos órgãos também parece enviar um padrão de estímulos para o cérebro que os reconhece, utilizando-os como parte integrante de um sistema de comunicação entre o cérebro e outros sistemas (Wetzler, Amen et al 2006).
Os órgãos também devem ser estáveis! Se não o forem podem ocorrer: debilidade do chão pélvico, prolapso de órgãos, incontinência da bexiga /intestinos ou lassidão dos ligamentos.

Disfunções urogenitais prolongadas podem originar dores pélvicas crónicas. Dores pélvicas crónicas diminuem a qualidade de vida de uma em cada quatro mulheres (Zondervan 1999). São a segunda causa mais comum das queixas ginecológicas, responsáveis por 20% das consultas e até 52% dos diagnósticos de laparoscopia (Ghaly 2000). Para muitas mulheres, não obstante diversos procedimentos clínicos, nunca haverá um diagnóstico definitivo.

Muitas vezes o objectivo do tratamento é o alívio dos sintomas, em detrimento da sua resolução. Os relatórios de 2005 dos Centros de Controlo de Doenças (nos EUA), revelam que 64% das mulheres com dores pélvicas crónicas sofreram abusos físicos, psicológicos e/ou sexuais na tenra infância. Ansiedade ou depressões prolongadas, um sistema nervoso simpático facilitado* ou alterações nas glândulas hipotálamo-pituitária-suprarenais podem contribuir, igualmente, para dores pélvicas crónicas (Bremner 2003).
Algumas indicações para Tratamento Visceral

Dores Lombares – muitas vezes resultante de restrições urogenitais, histórias de quedas sobre o cóccix, partos com fórceps ou ventosas, desvios crónicos da posição do útero
Aderências – historial de cirurgia, infecções, trauma, partos ou abortos

Problemas de estabilidade – prolapso, debilidade muscular e lassidão dos ligamentos, hormonal

Dyspareunia - relações sexuais dolorosas

Anorgasmia – falta de orgasmo, falta de libido

Problemas Circulatórios – espasmos vasculares reflexos, síndrome de cólon irritável, doenças crónicas ou linfáticas

Desmenorreia e dores pélvicas - fraca biomecânica dos órgãos, congestão de fluidos, nutrição, colisão de nervos, hormonal… múltiplos

Infertilidade – peritoneu parietal, restrições nos fluidos, disfunções nos tubos ou no colo do útero, endometrioses, desvio de órgãos e desequilíbrios endócrinos

Disfunções da bexiga – incontinência, infecções frequentes, inflamações, inflamação do músculo destrussor, cistite intestinal, síndrome uretral, remoção de um órgão associado e colapso das estruturas de suporte.

Uma avaliação da estrutura pélvica requer uma ESCUTA dos tecidos. Com a panóplia de possibilidades que podem desencadear disfunções pélvicas, deixar o corpo falar, deixar que os tecidos nos guiem para a disfunção mais importante para esta pessoa é a CHAVE para a resolução do problema.
O Tratamento do local da restrição primária com manipulação visceral vai recriar, harmonizar e aumentar a comunicação proprioceptiva do corpo, melhorando o seu mecanismo interno para uma saúde melhor (Barral 2003). Lembrem-se, a pélvis é o centro de todas as forças do corpo.
O seu papel é a transferência de qualquer carga em coordenação da FUNÇÃO. Quando se restaura a função pélvica aplicando o conceito visceral, as cavidades craniana, toráxica e abdominal devem ser consideradas no seu plano de tratamentos, pois isso permitirá a favorecer o relacionamento das ligações fasciais com os sistemas de pressão interna.
A ESPECIFICIDADE da manipulação visceral ajudará os nossos pacientes muito para além do alívio dos sintomas, permitindo encontrar e tratar um padrão de compensações que se correlacionem com a sua resolução!