21 Outubro 2009
por John UpledgerNão posso contabilizar o número de vezes que amigos bem-intencionados ou críticos acérrimos me disseram que a Terapia Sacro Craniana (TSC) deveria ser investigada utilizando métodos científicos. Muitas pessoas dizem que TSC poderia ser um verdadeiro achado nos cuidados de saúde, se existissem mais provas científicas.
Num artigo recente expliquei porque acredito que a TSC nunca poderá ser adequadamente avaliada se confinada a um laboratório, no entanto, poucas pessoas estão conscientes da muita investigação feita. Para os cépticos junto aqui algum do trabalho efectuado.
Fui abordado nos anos 70 pela Universidade Estadual de Michigan (MSU) para confirmar as bases científicas de uma premissa avançada por John Sutherland (Médico Osteopata) nos anos 30, de que as junções e suturas do crânio não ossificavam completamente, como a maioria pensava então. De 1975 a 1983 fui professor no departamento de biomecânica da Faculdade de Medicina Osteopática da MSU onde liderei uma equipa de anatomistas, fisiologistas, biofísicos e bioengenheiros para testar e documentar a influência do sistema sacro craniano no resto do corpo. Juntos fizemos diversas pesquisas, muitas das quais publicadas, que formam a base da modalidade terapêutica que desenvolvi e apelidei de Terapia Sacro Craniana.
Trabalhei, no início, com o neurofísiologista Ernest Retzlaff, PHD, para provar que em condições normais, as suturas cranianas não calcificam antes da morte. Estudámos numerosas amostras de ossos e suturas retiradas de pacientes de neurocirurgia com idades compreendidas entre os 7 e os 57 anos. Não só estas amostras mostravam estruturas vivas e completamente livres de calcificações, como também constatámos estarem revestidas de colagéneo e fibras elásticas, artérias, capilares, veias, nervos e neuro-receptores.
Após múltiplas observações mais profundas demonstrámos a existência de um incontestável potencial para a existência de movimentos entre as suturas cranianas. Estes resultados aparentavam no entanto contradizer amostras anatómicas de laboratório retiradas de cadáveres cujas suturas cranianas estavam calcificadas. Tais descobertas, aparentemente contraditórias, sugeriam que as calcificações das suturas cranianas observadas em cadáveres preservados, eram resultado de alterações post mortem bem como fruto de reacção aos agentes químicos de embalsamamento. As nossas descobertas sustentavam as que foram publicadas em Antomica Humanica pelo professor italiano Guioseppi Sperino, que notou que apenas em circunstâncias patológicas as suturas cranianas se fundem antes da morte.
O nosso passo seguinte, assim que vimos o potencial para o movimento nas suturas vivas, foi demonstrar que o movimento que hipoteticamente formulámos realmente existia num crânio vivo. Com a colaboração do biofísico Richard Ropell, PHD, começámos a usar técnicas de medição da pressão craniana (com bandas) em sujeitos vivos. Estas medições confirmaram e existência de movimentos de expansão/contracção rítmicos da circunferência craniana, com oscilações de 8 a 12 ciclos por minuto. Haviam no entanto outras variáveis que podiam desacreditar estas medições como provas sólidas de movimentação das suturas pelo que tivemos de medir o movimento de um osso craniano em relação a outro. Na impossibilidade da utilização de seres humanos para estes estudos, fomos autorizados a utilizar macacos vivos do departamento de fármacos da universidade.
Em experiências livres de dor, anestesiámos os macacos e procedemos a micro cirurgias para fixar uma antena directamente em cada osso parietal, cerca de 2cm laterais à sutura sagital e 2cm posteriores às suturas coronais. Ligámos depois estas pequenas antenas para que pudéssemos transmitir um sinal de rádio entre elas. Nos comprimentos de ondas transmitidas, descobrimos que às medidas que os ossos parietais se movimentavam independentemente um do outro, as distâncias entre os tempos de antena alteravam-se. Estas mudanças demonstraram a existência de um movimento interparietal de cerca de 12 ciclos por minuto. A um dado ponto, coloquei a ponta de um dedo no cóccix do macaco. Exercendo uma pressão mínima constatámos a paragem do movimento dos ossos parietais.
Tínhamos agora provas da existência de um sistema que podia movimentar ritmicamente os ossos parietais - e possibilitar a sua paragem por uma pressão mínima sobre o cóccix. Este, e outros factores levaram-me a deduzir que a pressão coccígea influenciou o movimento parietal através da variação da força hidráulica do líquido céfalo-raquidiano (LCR) movimentando-se através das membranas durais e do sistema miofascial, relacionado com a coluna vertebral e o crânio.
A minha primeira suspeita da existência do sistema hidráulico e surgiu há alguns anos durante uma cirurgia ao pescoço em que fui assistente. O cirurgião principal tinha removido o processo espinhoso e parte da laminae das vértebras médias cervicais (C4 e C5) de forma a expor a dura mater meningial e a mantê-la intacta. Nestas circunstâncias apercebi-me de um aumento e decréscimo da pressão do LCR com um ritmo de cerca de 8 ciclos por minuto. Tornou-se então claro que uma variação de pressão do líquido no interior da dura mater era responsável pelo seu movimento externo contínuo. Este líquido tinha de ser cérebro espinhal e o seu volume tinha de aumentar e diminuir ciclicamente. Porque é que este fenómeno não tinha sido observado em cirurgias anteriores? Esta resposta é surpreendentemente simples: porque na maioria dos casos é feita uma incisão na dura mater (felizmente nem sempre). Recebi recentemente uma carta do Professor Charles Probst, proeminente neurocirurgião Suíço que relatou ter visto o seguinte:
... “ sem qualquer dúvida, movimentos rítmicos da corda espinhosa com um ritmo de 4 a 10 ciclos por minuto. Este ritmo corresponde ao do líquido céfalo-raquidiano, bem visível quando se abre o espaço sub-aracnoide. Todos estes movimentos têm uma frequência completamente diferente da cardíaca e da respiratória. Isto é tudo o que vos posso dizer, baseado na nossa própria experiência em cerca de 20.000 neurocirurgias (11.000 cranianas e 9.000 à coluna)
No caso de procedimentos de punções lombares, quando a agulha penetra o compartimento do LCR, este entra no manómetro através da agulha de punção e de uma peça em forma de cotovelo. Quando o líquido atinge o pico de pressão, a válvula é aberta para a recolher do espécimen. Era geralmente assumido que a redução de pressão no manómetro era devida á quantidade de líquido extraído. Desta forma, qualquer queda cíclica na pressão do líquido era ignorada.



