21 Outubro 2009
Prof. John Upledger, DO, OMMRoppell, Retzlaff e eu, demonstrámos a existência de conteúdos vivos nas suturas e o movimento rítmico das suturas e dos ossos cranianos. Comecei a trabalhar com o biofísico e bioengenheiro Zvi Karni, (PHD, DSC.) Era professor visitante do Instituto Tecnológico “Technion-Israel” de Haifa, Israel, onde era responsável pelo departamento de biofísica. Inicialmente, juntou-se a mim para provar que o meu conceito de que a “energia” passava de uma pessoa para outra durante uma sessão de tratamento manual (mais tarde apelidada Terapia Sacro-Craniana – TSC). Depois de observar de perto as minhas sessões de tratamento, questionámo-nos sobre qual seria a melhor forma de investigar. Tornei-me seu aluno de biofísica e ele tornou-se meu aluno em medicina clínica manual e biologia. Deu-me matéria de estudo em física clássica e quântica, seguido de sessões de perguntas e respostas; dei-lhe uma visão mais profunda da estranha abordagem manual que estava a utilizar.
Trabalhámos intensamente durante cerca de três anos, após os quais foi chamado de volta a Israel. Arranjou maneira de eu ir à Technion no verão seguinte como professor visitante, onde me apresentou ao Professor Nachansohn, Médico, director do Hospital Loewenstein, em Ra´anana, o principal hospital de reabilitação neurológica de Israel. Aí estudei no serviço de doentes em coma. Depois de ter examinado vários pacientes comatosos, descobri que os ritmos sacro-cranianos, monitorizados nas regiões paravertebrais, não estavam presentes ao nível de lesões da espinal medula e abaixo delas. Com uma precisão de 100%, fui capaz de dizer aos médicos a que nível estava a lesão da espinal medula em cada paciente, sem outra pista que não fosse a perda de palpação do ritmo sacro craniano. Foi um verdadeiro estudo “cego” (blind test), com oito a dez neurologistas, muito cépticos, observando-me constantemente.
Durante os anos em que estivemos juntos na Universidade do estado de Michigan (MSU), o Dr. Karni e eu decidimos que olharíamos para o corpo humano como se fosse um saco isolante feito de pele e de membranas mucosas, cheio de uma solução condutora. Colocámos a hipótese de a solução condutora sofrer alterações de voltagem em resposta a mudanças de energia que ocorreriam no corpo enquanto eu fizesse os meus tratamentos. De forma a medir essas alterações de micro voltagem, o Dr. Karni construiu o que ele chamou de “ponte modificada de Wheatstone”. O instrumento adicionava algebricamente num dado instante, os desvios de micro voltagem relativos a uma linha média definida, em ambas as direcções, positiva e negativa. Conseguíamos assim ver as alterações de micro voltagem conforme estas ocorriam nos pacientes.
Começámos esta série de experiências aplicando eléctrodos na zona média da parte anterior da coxa do paciente, três polegadas acima do bordo superior da rótula com os eléctrodos de terra colocados no dorso de cada pé, sobre a linha média anterior, em cima da junção tarso-metatársica. Também monitorizámos a actividade cardíaca com 2 eléctrodos colocados em V, e seguimos a actividade pulmonar respiratória colocando umas bandas medidoras à volta da cavidade toráxica ao nível da junção do manubrio com o corpo xifóide. Variações circunferenciais no volume da caixa toráxica reflectiam actividade respiratória. Estes quatro dispositivos de medição foram ligados a um polígrafo que registava o ritmo cardíaco, a actividade respiratória e as alterações de micro voltagem totais do corpo.
O Dr. Karni monitorizou as leituras no papel do polígrafo. Contava-lhe o que ia acontecendo quando iniciava as técnicas de tratamento ou quando ocorriam alterações nos pacientes e ele anotava os comentários no papel do polígrafo, nos locais correspondentes. Passado algum tempo, ele próprio fazia observações precisas acerca dos pacientes pela simples monitorização das alterações verificadas nos registos do polígrafo. Tratámos mais de 150 pacientes desta forma e recolhemos o que pareciam ser quilómetros de dados. Ao demonstrar correlações no potencial eléctrico de todo o corpo, confirmámos mais uma vez a actividade do que apelidámos então de sistema sacro craniano.
Enquanto todos estes estudos de laboratório ocorriam, eu e os meus colegas levámos a cabo com crianças, dois estudos clínicos (de consistência de coeficientes de concordância). Desenvolvi um protocolo de avaliação com 19 parâmetros, utilizado para classificar o nível de mobilidade dos diversos ossos do sacro e do crânio. O primeiro estudo foi levado a cabo em 25 crianças da pré-primária examinadas por mim, por dois outros osteopatas cranianos e um aluno assistente. Avaliámos as crianças separadamente e reportámos as nossas observações relativas a cada parâmetro a um assistente de pesquisa independente. Nenhum de nós teve qualquer conhecimento das constatações dos outros até que um técnico de estatística independente tivesse completado a análise dos dados. A percentagem de concordância entre os examinadores variou de 72 a 92%, com uma variação permitida de 0-0,5%. Mais uma vez, estas descobertas sustentavam a existência de um sistema sacro-craniano e de movimento das suturas.
Ainda insatisfeito, utilizei o mesmo protocolo de examinação em 203 crianças da primária. Avaliei as crianças pessoalmente sem qualquer conhecimento do seu historial. Reportei as minhas descobertas a um assistente de pesquisa que as registou religiosamente. Um técnico estatístico independente recolheu informações da ficha escolar de cada aluno, bem como das entrevistas feitas aos seus pais. Relacionou as minhas descobertas com estas informações e observou um nível bastante elevado de concordância entre os resultados dos exames sacro-cranianos e os padrões de aprendizagem de cada aluno; convulsões; lesões na cabeça; problemas auditivos e até mesmo problemas obstétricos.
O estudo, pela sua concepção científica, anulou a possibilidade de concordância aleatória. Os resultados provaram que exames sacro-cranianos standardizados e quantificáveis representam uma forma prática para o estudo de disfunções do sistema sacro-craniano e uma grande diversidade de problemas de saúde, comportamento e desempenho. Outros pesquisadores têm levado a cabo estudos similares relacionados com desordens psiquiátricas e sintomatologia em recém-nascidos. Mais uma vez, a maior parte deste trabalho foi publicada. Isto é somente uma pequena porção da pesquisa que tem sido feita para provar a eficácia da terapia sobre o sistema sacro-craniano.
Existem hoje cerca de 100.000 terapeutas sacro cranianos em todo o Mundo e ainda mais testemunhos de pacientes ajudados por estas técnicas não invasivas. Estranho que estas informações não sirvam de nada aos olhos de alguns cépticos que continuam a proclamar que o sistema sacro-craniano é uma fantasia. De qualquer modo, o sistema sacro-craniana continuará a existir e será usado terapeuticamente com praticamente nenhum risco.
Bibliografia:
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